É esquisito passar tão
aninhada à e depois surgir sozinha no espaço mesmo.
O que penso, ou o que
passo a pensar agora é que vamos esvaziando-nos fundamentalmente ao
aproximarmo-nos das fontes da vida. Por isso movimentamo-nos
vagarosamente, dispersando em máximo de mitos distintos, a fim de
manter a forma e a vida - mesmo que paradoxalmente - viáveis.
Pela falta,
complementa-se com colorido. Enfeita-se lugares. Compõe-se
fundamentações.
Assim, assegurados por
colorido, podemos seguir sem colapsar a cada segundo com súbitas
razões de insegurança.
E surge a arte.
E surge deus.
E culturas.
E sistemas.
Cidade.
Trabalho.
Povo.
Relação.
TUDO VEM DA NECESSIDADE
FISIOLÓGICA DE RELACIONAMENTO.
Ser humano é nascer
fadado a liberdade
e fadado a dependência.
Por ser livre escolhe,
por depender, aceita.
E segue a dança.
Viver é um constante
ato de convencimento.
De sedução.
Por isso homem humano
fundamenta prazer em tudo.
O prazer básico
necessário:
Preencher o vazio (do
outro)
esvaziando-se.
É percebido, pois, que:
dançantes ondas de
existência
correm alternadamente
mesmo espaço,
ora cedendo, ora
dominando
de forma a permanecer
equilíbrio fundamental,
que mantêm a
conformação inteira.
Por pouca
probabilidade,
deve fundir diversas
e compor ser uno-todo,
assim configurando
coesa a espécie humana.
A coesão humana é
chamada de humanidade.
Essa mantêm-se
trabalhando inerentemente pelo grande ser-deus chamado “sistema”,
que nem de bom, nem de
mal, é superestrutura de indivíduos juntos,
juntando forças e
particularidades para manter completo o ser-grande.
Juntadas
possibilidades,
evolui chance de
sucesso natural.
O SUCESSO DO INDIVÍDUO
VEM DA RELAÇÃO NÃO INDIVIDUAL INTRINCADA.
ISSO SE CHAMA DE
“GLOBALIZAÇÃO”.
Mas, relevante
considerar, o ser-todo capaz de a si mesmo desmontar pela demasiada
grandeza.
Certo castelo de carta
vira fácil ao vento quanto mais for intento do montador produzir.
Assim mesmo, o
gigante-mestre cai-se sobre derrotado pela própria grandeza de ser.
Se demasiado grande e
complexo,
a falta dos meios
implica hiato,
e hiato mais aberto,
fundo negro.
Dessa forma tudo
engole,
aquele mesmo que
constrói,
acabando a digerir-se
em sofredor de si
mesmo.
Aí voltamos ao
jogo-dança,
complicado e paradoxo,
que do livre é vazio,
dependendo assim
aceitar,
e dançando vai ficando
ou deixando tantos
tantos,
que se demais um ou
demais outro, morre mesmo:
seja de si por si
seja de si para outros.
Assim mesmo
ser-gigante,
mata e morre de
excessos,
e difícil
conformidade,
faz gerar diversidade.

