31 de maio de 2012

30 de maio de 2012

Nada



Dor. Pesar.
Descontentamento,
raiva.
Tristeza.
Perdão.

Gozo das formas poucas,
da grama fosca,
do mar condão.


Solidão.


Frios do sul,
amena cor.
Paixão.


Fluxo.


Contido morte,
fusão fruir,
coração.

Confusão.

Infinito, além.
Desvida, cego, 
razão.

Amor

Fundo mais,
além do sim,
maior que não.


vida.
Nascer,
forma.
Feição.


Adeus.
Há deus,
não.



27 de maio de 2012

Ceifeiro


Desilusão;
por que tardas tu em corações possuídos de esperanças?
enquanto corres tempos outros, 
cresce o caos do último dos presentes de Pandora.

Tantos absortos no jamais;
a perdição seria a vitória dos fortes,
dos vivos,
sobre a morte plena.

Mas é querido burlá-la de fato?
Se nos é maior fruição,
o sabor das faces últimas,
dos tempos findos;
o adeus.

Vertigem de salto a precipício solto,
como amar ser livre,
como desfalecer sentidos;
e
 respirar.
Finalmente.


Já então, desejo fixo;
variáveis nascentes grandes, 
mas nada sobrepõe-se ao mérito este:
amor desamparo,
perdição  --  encontro.

Verdejante, esperança dos destinados
Já que aos males, o que resta é a morte.
Seu doce sabor sob gostos tantos,
não desacordo com vida é.
"O mel, é parte do fel".

Efêmeras partes,
seções de um mesmo.
É o fim um começo
e o começo, o fim.

O desejoso amor dos sábios
o fel dos loucos;
e o mal dos poetas,
ansiado fim o é:
Amar é desejar morrer.

Amar é conseguí-lo.


...


Pássaros negros; sua vitória é desilusão
como casas tantas valeriam um dar de mãos,
como corações tantos um olhar e chão?
 Maleáveis ou graciosos,
quão forte são suas almas em resistir seu caos?


24 de maio de 2012

Sina


Comer, comer, comer!!! Trabalhamos, ganhamos dinheiro, concebemos doenças, engordamos, perdemos horas fazendo, limpando resíduos, planejando, comprando; saímos para comer, compramos utensílios, transportamos, poluímos, discutimos sobre o que comer ou não. Gastamos enorme energia digerindo, nos cansamos, comemos demais, passamos mal; gastamos com médicos, dentistas, nutricionistas, restaurantes... nos viciamos, amaldiçoamos e amamos.
Esta é nossa sina e, pensando bem nela... Acho que vou viver de luz!

21 de maio de 2012

Arthur Rimbaud



Nasceu em Marselha, na França, em 1854. Foi um artista muito precoce, suas maiores obras foram escritas durante a adolescência. Ele ganhou fama e prestígio tão rápido que ninguém menos que o escritor Victor Hugo o chamou de “jovem Shakespeare”. Mas apesar de ter escritos textos e poemas brilhantes que influenciaram as artes e a literaturas modernas, a carreira de Rimbaud durou pouco, aos 20 anos largou a poesia e começou a se dedicar totalmente à ideologias políticas e à vida mundana. O rapaz era tão inquieto, que viajou por 3 continentes guerreando pelas suas ideias antes de falecer aos 37 anos, vítima de câncer.



Sensação
Pelas noites azuis de verão, irei em atalhos sob a lua,
Picotado pelos trigos, pisar a grama pequena:
Sonhador, sentirei nos pés o frescor que acena.
Deixarei o vento banhar minha cabeça nua.
Não falarei, não pensarei em nada sequer:
Mas me subirá na alma o amor soberano,
E irei longe, bem longe, feito um cigano,
Pela Natureza — feliz como se estivesse com uma mulher.

Ontem

São as tardes de inverno chegando. A fria face e o calor do chá das cinco. Quão bom são os cafés e lareiras. Lembrança dos pássaros indo cedo pelo anoitecer logo, as folhagens sibilando o sussurro da gélida brisa. O rosto na vidraça vendo mais que apenas o deitar do dia. Tingindo-se de morte, vinha em lugar a lua plácida, das noites estreladas de Minas. O infinito de tão a fazer-nos pequenos sob; em revelações, das fugazes histórias do tempo. Como luz de tarde, era a estrada ao luar cheio. Pés altos, no saltitar da cantiga. A casinha quente das nuvens de sonho e chuvas de estrelas.

 Então vinham as fogueiras, danças e risos; quão! Amigos-irmão e campo junto, a relva crescia sobre alvas canelas das botas azuis. Curtos espaços mais, ia-se ao além dourado, montanhas longe do fruir juventude. O vale das fadas.

 Eram-se vagas memórias de um passado ido. Talvez aqueles olhos de fogo ainda estivessem aqui, talvez os campos ainda fossem o inteiro todo. Talvez os passos largos seguissem ao longe; mas nunca deixassem aquilo passar. A eternidade faz-se no existir, sua continuidade é a febre dos desejos. 

 Ainda lembro-me do fogão a lenha sentada, de certas palavras ao vento e promessas ao futuro. O futuro chega, mais que nunca passa o antes, quem sabe o agora? Se ocorreram fatos já não sei, mas estes sonhos distos são as vagas de águas minhas.













  


E aquela que dizia "Passe tempo, passe", 
é o calor dos olhos sorridentes. O efêmero 
dos amanhãs jamais.
.

19 de maio de 2012

Divagações aleatórias

Como face plena, não mais que a sua, ou de tantos outros além. O real poder era o das vagas corridas, mar além horizonte e cancioneiros movedoiros de tão. Fatídico dos cantos das formas e cores, formados marcantes no ademais das existências. O fruir dos moiros, dos fracos, faria grande o cantar amante. Desluz tamanha, grandes formas; o jamais faria, do sempre ao infinito.  Tais passos largos, fraquezas da juventude que lhe impera. Olhos do profundo desalento; presos em profundezas mar de si, mas de lá mais ninguém, apenas único solitário. Gaivotas riem águas acima, ondas florescem em ressaca, mas nada muda lá no fundo; o oceano é berço das eras.
Atrevido a mergulhar fundo, nada mais seria que suspiro fim de seus passos. Podendo cortar quilômetros e jamais haver alcançado lugar algum. Não se toca fundo oceano, se é. Não se forma além dos tantos rios e pororoca unidades outras em desvio do que antes era-se. Mar já é rio; nascentes, ciclo inteiro.
Cada qual a seu modo, guarda embrião de passos tantos. Próprio e outros.
 Assim, como poderiam criar-se vocês para escolhas de própria velhice ou juventude, transformando e recondicionando sua própria estrutura, se esta como semente, já guarda essência de árvore inteira. Em ditos outros, não faria-se esta a vontade própria, mas a do que o programa é apenas repercussor. Sem livre, como poderiam ser ou estar em universo inteiro, classes e formação? Vontades próprias ou pensamentos? Talvez o visto aqui, seja apenas grave efeito de luz e cérebro. Nada mais.
O efeito escuro, não existindo de fato, em amor-pensamento, a alma daqueles tantos que ali vivem. E aqui também, introjetado no mundo das maias e ilusões. Talvez seja este o dualismo tão visto, que de dois não há, apenas o um dos grandes. Nós pequenos assim, vemos plano fosco, e não vemos. Sendo pois tal o milagre.
Sozinho cheio, grandes seriam prantos caso outros ali não encontrassem passos meus. Não se sabe águas, ou pés-de-pato, mas correndo certas profundezas.  Gratidão a minha pela solidão não cravar-se sufocante, pois são os que detém a estaca. Felizes as quintas feiras, capuccinos e conversas ares.