Sou a cantiga leve das
florestas, dos campos e jasmins. A brisa leve sobre as folhas
eriçadas pela forte neblina. As gotas de orvalho, cristalinas em
argênteo fruir nas flores; cantam gaivotas ao longe, mas aqui,
apenas vivem as corujas.
Lado a lado,
comportam-se, ora grande olhos, ora longa calda. Esta dos felinos
sorrateiros e misteriosos; aqueles das corujas, ágeis, rápidas e
sábias. Ambos noite, lugar pleno: o espaço desejado.
Desce a chuva então,
das gotas grossas e lua cheia. Sussurra o vento e a noite se fecha.
Vezes correm esquilos a seus campos seguros, vezes saem das casas a
deliciar-se nas estrelas da colina.

Engrossa gotas: até as cobras se escondem. Nestas vezes, fogueiras correm chamas de difícil tento, então acendem-se velas, ou fecha-se a escuridão soberana. Ninguém deseja infringir a fúria das flores, que dançam forte ao nutar do cenário. Aí somos tal as águas do riacho claro, grandes as formas, pequenas as pretensões, mínimos os humores. Dança-se em silêncio e a pura melodia é formada, já que as melhores músicas são as que tocam o silêncio da alma.
Fica-se bem assim.

