Tudo se vai. Tudo passa.
Nada ficou ou fica do que um dia foi, nem a memória fica, nem o cheiro, nem a imagem fica. Lembranças que nada, são criações de nossa mente sonhadora, que realidade nada. Não são imagens do ontem, não há ontem; são criação e representação nova do que se acha passado. Nada fica, nada.
Nem o "eu", nem o "ele", ou ela, eles, nós... e por mais ainda, aquilo que surgiu já se esvai por natureza. Efêmero diria-se, mas nem isso. Antes de sê-lo já sumiu de todo. Já sumiu e some e some, mais some que aparece. Não há pessimismo, dor; não há amor ou vigor. Nem isto ou aquilo, nada.
Tudo volta ao nada de onde surgiu. Só o Nada fica.
30 de agosto de 2012
20 de agosto de 2012
Eixo
Somos nós os condenados.
Somos nós os absoltos.
A perdição e o encontro...
tudo.
Somos nós os absoltos.
A perdição e o encontro...
tudo.
Suas grandezas esvaem-se,
algum dia existiram?
Suas mentes deformam-se,
algum dia já feitas?
Seus corpos enforcam-se.
Já respiraram?
Não.
Não;
não.
Jamais.
Já mais foram densos,
mais perdidos,
mais vazios,
menos soltos.
Foram-se junto ao vento,
de outonos
e verões.
Foram-se eles,
voltaram aqueles
e jamais deixaram-se então.
Estavam ali, sempre.
Engraçado, não?
Quando choravam-se
ali pranteavam juntos.
Quando clamavam-se,
ali mergulhavam juntos.
Era solidão,
que solidão!
Amor verdadeiro é aquele sozinho.
Aquele vazio.
Inexistente.
Ninguém existe,
ninguém ama...
O tempo não entende essas coisas...
Dor.
O presságio dos desesperados.
O palor dos condenado.
A falta.
Silencio,
vazio escuridão;
calafrios.
Desespero.
Mordaz.
Tudo igual a nada,
dele surge,
e finda.
É desespero o silencio,
dele existe e desaparece.
Granadas caem na paz;
explosões ecoam na guerra.
"A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada"
Sem tempo, nada existe;
e tempo, amor não é.
Não é!
Herdam-se os olhos, a boca, os braços, os pés... encontram-se as marcas, feições, gestos. Nucleicos ou divinos, formam-se os seres. Que seres! Audazes eles, grandes até. Quem sabe seus postos, corpos, criem-se mais pelo desejo ainda de ainda e ainda ser. Quem sabe os amores, marquem-se fogos, jogos, logos, por desejar aparecer, perecer, morrer. As centelhas queimam e marcam os seus tênues; a força é fraca e inexata. Perfumes poucos, entram, ficam; mas exageram e horrorizam. Apenas francas marcas permanecem, não as do tempo. São as radios, são as ativas; fitam, fixam, mixam; da fissão, fusão, paixão. Fica com tempo, sem tempo, sem hora ou demora. Fica, apenas fica... mas o tempo, ah! o tempo? O tempo não entende essas coisas.
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