28 de julho de 2011

Real?

Num mundo tão cheio de meandros, o fato de acreditar, mostra apenas uma fustigada forma de demonstração; sejam de reflexões ou sentimentos. Luz pensante e eterna. Acreditar fortifica sim o humano, como base e chão, um colo de mãe. Mas desacreditar, concede abismos e, em forma de maior limpidez, asas. Já que o novo é novo, não algo contrário ao antigo. A ideia de opostos se esvai e mais de junto, mais de separado, tudo se faz. Pois não mais que o fato (se for possível dizer "um fato") de existir, cria a pura e plena capacidade de criar verdades e destruir as mesmas. O sentido destrutivel de um ser é o que ele possui em contruir algo. Não bom, não mal; apenas ação, tranformação.
De forma a visão, e sentidos outros todos, não lúdico como pintura, mas algo nobremente breve; o sentido do estar e respirar, de tamanho descontentamento em ser jogado em uma ilha perdida, como indigente; sem ao menos qualquer informação de si, fazem-se os massacres de ideias e, por assim dizer, a geração, quase que espontânea, de novas (seriam mesmo novas, ou apenas as mesmas vistas de outro ângulo, ressignificadas?).
O contentamento descontente em viver, o febriu ato de surgir no mundo, de criar e ser criado, de ser cheio de cultura (talvez aculturado, quem sabe.) e por diversos, controlado; cria uma capa de proteção osmótica. As aguas que entram são seletas e recodificadas das reais. Desumanizado humano, vê-se em espelho convexo, a imagem invertida faz acreditar assiduamente em sua máxima humanização; mas afinal, o que é humano?
Contrariando o mundo das ideias, dos sentidos e das crenças; é pura caótica forma ressurgida de mais caótico amontoado de nível atômico. Um algo incoerente em forma e visão, um algo quase, não algo; alguém.
Em níveis de verdade e, por níveis, não se entende hierarquia, formam-se os seres. Em parte não seres. Do tempo e espaço, vibração e movimento. Do movimento o tempo, do espaço, vibração. Uma dita realidade formada.

Teatro


Corações limpos e sem embargo, são leves e soltos. Almas de paz e luz que se refletem na pureza e vivacidade dos olhos e olhares.
Se são os olhos, janelas da alma, seria a boca; porta? Dela se exprimem puras ou híbridas palavras, oriundas de um mundo mais nosso que este.
Então, escuta seu coração e paz se faz ciência. De sonoridade por quem passa, persona. Ressoa esta aos sete cantos e acordam os que dormem.
Renovado, "per" ou por (por onde o som ecoa e passa); já se mostra brilhante como sua origem: as estrelas.
Até que um dia de tanta tonteria, um pensamento embriagado de sono, cai na cabeça de alguém ocioso. Este, quase que por ímpeto; vê.
Mas o que ele vê? Que lhe é mostrado? Posso eu responder a pergunta? Não e sim. Não, pois não estou eu nos olhos de todos que subtamente enxergam; e sim, pois estou nos meus quando o mesmo ocorre.
Bem, ao que interessa, não chega a ser complexo, muito menos simples. Está ele entre os dois, não por ser meio termo, mas por serem extremos opostos de mesma intensidade; assim é o equilíbrio: ambos extremados, não meio caminho.
Faz-se então os olhos abertos, que enxerga um grande teatro no qual nos encontramos. No meio do ato, por brilho de mente, em piscar, um desperta e parabeniza seu companheiro oposto de cena:
-- Parabéns! Você é um perfeito ator, -- diz este, usando primariamente, de irônia. Mas com certo desentendimento do recepitor, o mesmo repete a fala:
-- Parabéns! Você é, realmente, um ótimo ator.

Assim, ambos entendem o que era realmente dito. O primeiro, absorto pelo papel, havia esquecido de sua posição de ator. O segundo, tambem absorto, percebe que e ofença dirigida, nao era de fato ofença, mas elogio. De fato, o interlocutor, que de fala ironica, tornou-se pura e sanguínea. Outro se vê num real ato. Logo após, tudo some e volta, direto a mente.
É tudo em verdade pura, um só lugar e um só ser. Bem, não posso afirmar a pura verdade, mas ela se faz presente.
Maia, deusa de aparência e corpo, também é deusa desta grande peça de mundo real. É quem faz todo estar do elã. Vai levando, como um doce perfume, uma carícia e mar. Leve, assídua e, vezes traissoeira. Não julque-a, contudo, caro leitor. És ela formada de nós e nós dela, parte do todo e todo da parte.
Outros já dizem, sê-la rainha da mentira e ilusão. Que seja, em mentira e em verdade vos digo: Estamos rodeados de verdade e verdade somos, contudo toda verdade está tão próxima aos olhos, que estes se esqucem de vê-las; turvam-se. Este turvo de verdade, seria então a mentira? Sê-los-ia ou é. E novamente entramos na questão dos extremos opostos, assim é.
Uma mentira pura e pura verdade, tando faz, como quiseres ver. Conhecemos assim a incapacidade humana em frente a puríssima (isto mesmo, em superlativo) verdade. É como luz demais.
Concluído o assunto, sigamos em frente, tentando não cair (e assim mesmo se jogando) em novos meandros.
Pois sim, voltando a questão do teatro:
Um ser, que abre os olhos, por acaso, quase por acidente, faz então abrir outros; como um soar de trombetas de ouro. Este mensageiro, que se faz soar, acorda também com a própria mensagem; anjo dos dois mundos.
Existem alguns por ai espalhados, nem sempre vão para frente, pois mesmo acordando; alguns preferem fechar novamente os olhos e aproveitar do sono profundo. Assim, alguns despertos pela trobeta, acabam por cair em sono. Isso se exemplifica, no chamar manso demais de uma mãe, acordando matinalmente seu filho noturno. Não se chega a despertar nada além dos ouvidos e algo mecânico. O mecânico se dá ao pré-programado "sim". A mãe sai, o sono volta e a cama, em ressaca, o engole. Isto, salvo raras exceções, tão determinadas que logo pulam da cama, não voltando tão cedo a ela.

Não digo isto em repúdio ao sono, não. Nem sempre estamos acordados e lúcidos, vezes nos pegamos em sono profundo, vezes com a visão tão turva de imagens, emoções e pensamentos do ato; acabando por esquecer todo o resto. Isto não é de nada mal, o ruim é alienar-se no esquecimento e acomodar-se a ele. Dormir é preciso, assim nos tornamos mais acíduos quando acordados; mas não por pura preguiça, tédio e descontentamento. Se te descontentas com a vida, acorde ainda mais e mais abras teus olhos, que antes e assim verás (sim, verás) a réplica de seu sonho dorminte na real.

1 de julho de 2011

Circo dos Horrores

Enquanto o mundo mata seu passado
você destrói seu futuro.
As chances são a especulação da vida
mas quem é a vida,
senão sua cama de noite,
e seu trabalho ao dia.

Quem afinal está acordado
e quem dorme?

Já que olhos abertos nao condizem com a realidade.
as chamas queimam, mas o fogo não arde.
Este, já apagado
se vê insoso, como teu pobre coração.
As asas derretem com o sol,
voce nao voa.

Quem poderia do relento da noite, criar o brilho do dia
enquanto os pardais ciscam migalhas pelo chão
e as aves da paz,
tão paz, quando uma bomba atomica,
caem mortos, aniquilados pelo seu ar
ou a falta dele.

De sua insanidade, são vistas as fagulhas de um breve coração.
Oriundos, mas cacos esquecidos, de antiga vida.
De quem a palavra dita,
nao mais que palavra.
Os olhos nao se prostram em sua penumbra.
os olhos nao.
Falta luz,
falta espelho
Falta vida.


Complicado, morto em discordia de seu ato de sobreviver.
ainda insiste.
Invernos, folhas, flores e sol.
Todos já se foram.
E quem sobrou disso tudo?
Será que ainda existe alguem?

Bem vindo ao circo da ilusão,
onde o palhaço é você.
Bem vindo ao circo da ilusão,
bem vindo a roda de fogo.
ao prazer da extorção
bem vindo, bem vindo, bem... vindo?
Não seria melhor voltar?
A porta ainda está aberta...
Mas espere.

Isto são estrelas?
Essa é a selva?
este é o gramado?
Verde verde gramado,
cante mais, cante.

Dorme
As grades são segurança
este céu, tão céu, tão...
gramas verdes, gramas nao morrem
dorme, dorme
aqui voce está seguro
aqui esta em paz
aqui, aqui, aqui...

Ainda há tua mente,
esqueça.
Durma.

Fundo, louco
esqueça
durma
durma
durma...

Bem vindo ao circo,
bem vindo,
onde voce diverte
onde voce rola
onde voce corre, pula...
O que ainda há?

Quem sabe?
Mas esqueça
apenas durma
durma
tudo é um sonho bom
de onde voce nunca acorda.

E dorme,
durmam
durmimos?
Sim.
A cama é popular.
o circo também.
Ditadura da (falsa) felicidade.
(Mas esqueça, apenas durma, durma, durma.......)