
Corações limpos e sem embargo, são leves e soltos. Almas de paz e luz que se refletem na pureza e vivacidade dos olhos e olhares.
Se são os olhos, janelas da alma, seria a boca; porta? Dela se exprimem puras ou híbridas palavras, oriundas de um mundo mais nosso que este.
Então, escuta seu coração e paz se faz ciência. De sonoridade por quem passa, persona. Ressoa esta aos sete cantos e acordam os que dormem.
Renovado, "per" ou por (por onde o som ecoa e passa); já se mostra brilhante como sua origem: as estrelas.
Até que um dia de tanta tonteria, um pensamento embriagado de sono, cai na cabeça de alguém ocioso. Este, quase que por ímpeto; vê.
Mas o que ele vê? Que lhe é mostrado? Posso eu responder a pergunta? Não e sim. Não, pois não estou eu nos olhos de todos que subtamente enxergam; e sim, pois estou nos meus quando o mesmo ocorre.
Bem, ao que interessa, não chega a ser complexo, muito menos simples. Está ele entre os dois, não por ser meio termo, mas por serem extremos opostos de mesma intensidade; assim é o equilíbrio: ambos extremados, não meio caminho.
Faz-se então os olhos abertos, que enxerga um grande teatro no qual nos encontramos. No meio do ato, por brilho de mente, em piscar, um desperta e parabeniza seu companheiro oposto de cena:
-- Parabéns! Você é um perfeito ator, -- diz este, usando primariamente, de irônia. Mas com certo desentendimento do recepitor, o mesmo repete a fala:
-- Parabéns! Você é, realmente, um ótimo ator.
Assim, ambos entendem o que era realmente dito. O primeiro, absorto pelo papel, havia esquecido de sua posição de ator. O segundo, tambem absorto, percebe que e ofença dirigida, nao era de fato ofença, mas elogio. De fato, o interlocutor, que de fala ironica, tornou-se pura e sanguínea. Outro se vê num real ato. Logo após, tudo some e volta, direto a mente.
É tudo em verdade pura, um só lugar e um só ser. Bem, não posso afirmar a pura verdade, mas ela se faz presente.
Maia, deusa de aparência e corpo, também é deusa desta grande peça de mundo real. É quem faz todo estar do elã. Vai levando, como um doce perfume, uma carícia e mar. Leve, assídua e, vezes traissoeira. Não julque-a, contudo, caro leitor. És ela formada de nós e nós dela, parte do todo e todo da parte.
Outros já dizem, sê-la rainha da mentira e ilusão. Que seja, em mentira e em verdade vos digo: Estamos rodeados de verdade e verdade somos, contudo toda verdade está tão próxima aos olhos, que estes se esqucem de vê-las; turvam-se. Este turvo de verdade, seria então a mentira? Sê-los-ia ou é. E novamente entramos na questão dos extremos opostos, assim é.
Uma mentira pura e pura verdade, tando faz, como quiseres ver. Conhecemos assim a incapacidade humana em frente a puríssima (isto mesmo, em superlativo) verdade. É como luz demais.
Concluído o assunto, sigamos em frente, tentando não cair (e assim mesmo se jogando) em novos meandros.
Pois sim, voltando a questão do teatro:
Um ser, que abre os olhos, por acaso, quase por acidente, faz então abrir outros; como um soar de trombetas de ouro. Este mensageiro, que se faz soar, acorda também com a própria mensagem; anjo dos dois mundos.
Existem alguns por ai espalhados, nem sempre vão para frente, pois mesmo acordando; alguns preferem fechar novamente os olhos e aproveitar do sono profundo. Assim, alguns despertos pela trobeta, acabam por cair em sono. Isso se exemplifica, no chamar manso demais de uma mãe, acordando matinalmente seu filho noturno. Não se chega a despertar nada além dos ouvidos e algo mecânico. O mecânico se dá ao pré-programado "sim". A mãe sai, o sono volta e a cama, em ressaca, o engole. Isto, salvo raras exceções, tão determinadas que logo pulam da cama, não voltando tão cedo a ela.
Não digo isto em repúdio ao sono, não. Nem sempre estamos acordados e lúcidos, vezes nos pegamos em sono profundo, vezes com a visão tão turva de imagens, emoções e pensamentos do ato; acabando por esquecer todo o resto. Isto não é de nada mal, o ruim é alienar-se no esquecimento e acomodar-se a ele. Dormir é preciso, assim nos tornamos mais acíduos quando acordados; mas não por pura preguiça, tédio e descontentamento. Se te descontentas com a vida, acorde ainda mais e mais abras teus olhos, que antes e assim verás (sim, verás) a réplica de seu sonho dorminte na real.
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