Agora vejo páginas em
branco e não resisto ao desejo: escrevo mesmo.
Aqui estão os mesmos
espaços e tempos que me fazem assim ser: Eu e eu.
Dificulta-me a vida
estudantil estas variações repentinas de ânimo. E por ânimo digo
todo ele, todinho. Nem comer, estudar, dormir... nada apetece. Fico
por escrever mesmo, que sempre foi a melhor forma de fugir de mim
mesma, entrando mais fundo no meu próprio ser.
Há um certo medo do
que pode ser encontrado, mas nada mais do que possa ser perdido.
Antes encontrar que perder, antes terror que vazio.
O vazio nada quer, nada
move, nada é. Fica lá simplesmente em si, não pede atenuantes, nem
bocejos, nem desejo algum. Vazio é o desespero maior, é sim. Aquele
não remediável, sumindo e aparecendo do mesmo ponto. É difícil
assim. Gostaria de saber ao menos o que gera ou gerou isso em mim;
este desespero agudo da solidão.
Ela chega, basta que
todos se vão. E fica. Sei racionalmente que um ou outro chegará ao
fim do dia, ou um dia qualquer, sei que ainda posso andar por aí e
encontrar amigos, que posso telefonar e ouvir vozes reconfortantes;
mas de nada adianta. A sensação continua e continua, permanece
inalterada profunda encravada no peito. Aí escrevo. Aí escrevo
mais. Talvez assim crie personas novas a povoar o vazio da solidão.
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