Desilusão;
por que tardas tu em corações possuídos de esperanças?
enquanto corres tempos outros,
cresce o caos do último dos presentes de Pandora.
Tantos absortos no jamais;
a perdição seria a vitória dos fortes,
dos vivos,
sobre a morte plena.
Mas é querido burlá-la de fato?
Se nos é maior fruição,
o sabor das faces últimas,
dos tempos findos;
o adeus.
Vertigem de salto a precipício solto,
como amar ser livre,
como desfalecer sentidos;
e
respirar.
Finalmente.
Já então, desejo fixo;
variáveis nascentes grandes,
mas nada sobrepõe-se ao mérito este:
amor desamparo,
perdição -- encontro.
Verdejante, esperança dos destinados
Já que aos males, o que resta é a morte.
Seu doce sabor sob gostos tantos,
não desacordo com vida é.
"O mel, é parte do fel".
Efêmeras partes,
seções de um mesmo.
É o fim um começo
e o começo, o fim.
O desejoso amor dos sábios
o fel dos loucos;
e o mal dos poetas,
ansiado fim o é:
Amar é desejar morrer.
Amar é conseguí-lo.
...
Pássaros negros; sua vitória é desilusão
como casas tantas valeriam um dar de mãos,
como corações tantos um olhar e chão?
Maleáveis ou graciosos,
quão forte são suas almas em resistir seu caos?
O POETA (II)
ResponderExcluirVai poeta, vai bardo, vai como um cão
Lançar-te implacável pelo sórdido beco
E tanger a lira com tua imunda mão
E ouvir da montanha teu mórbido eco.
Não vá querer esboçar um riso
Nem desdenhar da miséria humana
- Embevecido morreu Narciso
E a soberba é cruenta soberana.
Existir - dádiva pungente e sublime,
A um só tempo sacra e profana.
Beija tua arte que não te exime
Da ímpia fatalidade do arrebol:
Tu, qual Faetonte, a alma em chama
Também tentaste inutilmente guiar o Sol.
P.M.E.