27 de maio de 2012

Ceifeiro


Desilusão;
por que tardas tu em corações possuídos de esperanças?
enquanto corres tempos outros, 
cresce o caos do último dos presentes de Pandora.

Tantos absortos no jamais;
a perdição seria a vitória dos fortes,
dos vivos,
sobre a morte plena.

Mas é querido burlá-la de fato?
Se nos é maior fruição,
o sabor das faces últimas,
dos tempos findos;
o adeus.

Vertigem de salto a precipício solto,
como amar ser livre,
como desfalecer sentidos;
e
 respirar.
Finalmente.


Já então, desejo fixo;
variáveis nascentes grandes, 
mas nada sobrepõe-se ao mérito este:
amor desamparo,
perdição  --  encontro.

Verdejante, esperança dos destinados
Já que aos males, o que resta é a morte.
Seu doce sabor sob gostos tantos,
não desacordo com vida é.
"O mel, é parte do fel".

Efêmeras partes,
seções de um mesmo.
É o fim um começo
e o começo, o fim.

O desejoso amor dos sábios
o fel dos loucos;
e o mal dos poetas,
ansiado fim o é:
Amar é desejar morrer.

Amar é conseguí-lo.


...


Pássaros negros; sua vitória é desilusão
como casas tantas valeriam um dar de mãos,
como corações tantos um olhar e chão?
 Maleáveis ou graciosos,
quão forte são suas almas em resistir seu caos?


Um comentário:

  1. O POETA (II)

    Vai poeta, vai bardo, vai como um cão
    Lançar-te implacável pelo sórdido beco
    E tanger a lira com tua imunda mão
    E ouvir da montanha teu mórbido eco.

    Não vá querer esboçar um riso
    Nem desdenhar da miséria humana
    - Embevecido morreu Narciso
    E a soberba é cruenta soberana.

    Existir - dádiva pungente e sublime,
    A um só tempo sacra e profana.
    Beija tua arte que não te exime

    Da ímpia fatalidade do arrebol:
    Tu, qual Faetonte, a alma em chama
    Também tentaste inutilmente guiar o Sol.

    P.M.E.

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