30 de maio de 2012

Nada



Dor. Pesar.
Descontentamento,
raiva.
Tristeza.
Perdão.

Gozo das formas poucas,
da grama fosca,
do mar condão.


Solidão.


Frios do sul,
amena cor.
Paixão.


Fluxo.


Contido morte,
fusão fruir,
coração.

Confusão.

Infinito, além.
Desvida, cego, 
razão.

Amor

Fundo mais,
além do sim,
maior que não.


vida.
Nascer,
forma.
Feição.


Adeus.
Há deus,
não.



4 comentários:

  1. O DIA EM QUE ME ENFORQUEI

    os melhores poemas vão nascer
    na insônia - penso, procurando
    uma desculpa pra não apelar
    pro benzodiazepínico:
    esse consolo inexorável da tarja preta

    lembro-me de ter ouvido
    ela dizer
    que prefere seus livros
    a ter alguém

    eu já tive alguém
    essa utopia carnavalesca
    de achar que está toda a substância
    etérea ali concentrada
    nas mãos que se enlaçam
    e nessas mentiras todas

    eu já tive alguém
    essa sensação de ser
    humano e absoluto
    uma filosofia qualquer
    e a crença de ser amado
    e de que existe algum esboço
    de sonho
    - talvez um motivo pra dormir
    porque há algo pra pensar
    quando se acorda

    lembro-me de ter ouvido
    ela dizer
    que prefere seus livros
    a ter alguém
    e a invejo profundamente
    porque me debruço
    sobre o que dizem ser eu
    tento ler alguma coisa
    tento extrair uma gota de tinta
    que contasse alguma história
    que me convencesse
    de alguma narrativa
    no entanto
    se apresenta
    alegre e cheia de alma
    a página em branco
    já amarela e rota
    dourada de pó.

    P.M.E.



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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. São as formas nossas dos campos poucos de mais visão; fazer dos campos grandes, das casas pequenas e corações poucos. Talvez seja desejoso garantir ou percorrer melhores feições que as nossas: fugir dos monstros internos. Éste é o perigo do amor: a morte.
      Todos morrem, mas poucos decidem morrer fundo e fundo percorrer os Campos Elísios da alma, atravessar o Estige e tomar nas mãos a própria face morta, beber a vida que se foi em cálice de sangue. E deparar-se com os desejos; os escondidos, quietos, imotos ali velados. Aqueles sob o gritar dos pensamentos, guiando fundo, movendo, manipulando; as parcas marionetes.
      Poucos são os corajosos para deparar-se, inusitadamente, consigo mesmos.

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  2. pois, como dizia o poetinha que transformou lirismo em estilo de vida:

    "Você que não gosta de gostar
    Pra não sofrer
    Não sorrir e não chorar
    Você vai ver um dia
    Em que fria você vai entrar
    Por cima uma laje
    Embaixo a escuridão
    É fogo irmão
    É fogo irmão"

    O Vininha sabia das coisas...

    P.M.E.

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